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Reator 4 — Parte 1: um domingo, um rádio e um mapa vazio

·806 palavras·4 minutos
Autor
Douglas Vago
Reator 4 - Este artigo faz parte de uma série de artigos.
Parte 1: Esse Artigo

Linhares, domingo, 11 de outubro de 2026 — 13h15 Por Douglas Buzatto Vago


Acordei cedo. Umas 7h40, talvez 8h, não lembro direito. Domingo, casa quieta, café, e aquela vontade de mexer em alguma coisa que não fosse trabalho.

A coisa da vez foi LoRa.

“Quero um LoRa. Potente. Nada de iniciante.”
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Foi assim que começou. E a primeira resposta que recebi foi uma pergunta: LoRa, o rádio, ou LoRA, o fine-tuning de IA? Justo. Em 2026 as duas palavras disputam o mesmo espaço na cabeça de quem mexe com tecnologia. Era o rádio.

E aí veio a primeira lição do dia: em LoRa, “potente” não é potência de transmissão. O TX é limitado por regulação. O que dá alcance de verdade é antena boa, bem posicionada, RF limpo e altura. Muita altura.

Mesh, não LoRaWAN
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A segunda lição foi separar as duas coisas que todo mundo mistura:

  • LoRaWAN é estrela: sensor → gateway → servidor. Serve pra telemetria, medidor, nível de caixa d’água. Não é pra gente conversar.
  • Mesh (Meshtastic) não tem centro. Cada rádio é um nó que recebe e repete. Você manda texto e posição do celular, via Bluetooth, e a mensagem pula de nó em nó sem internet e sem operadora.

O que eu queria era o segundo. Mensagem por rádio, pura, do jeito raiz.

O mapa vazio
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Abri o mapa do Meshtastic e olhei o Espírito Santo. Tem gente em Vitória. Do norte do estado pra cima: nada.

Foi aí que a ideia virou missão: ser o primeiro nó do norte do ES.

Claro que tem um detalhe. Sozinho em Linhares, meu nó não tem com quem falar por rádio. Vitória fica a uns 130 km, sem visada. Um salto direto disso é fantasia. Mas alguém tem que ser o primeiro, e mesh é exatamente isso: começa com um, depois aparece outro, e a malha cresce em volta. O plano é manter o nó isolado até a rede chegar até ele.

Tentando reaproveitar o que tenho em casa
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Antes de gastar, olhei a gaveta:

  • Um Banana Pi: viável. O Meshtastic roda em Linux (meshtasticd) com um módulo SX1262 no SPI. Dá trabalho de pinagem, mas funciona.
  • Um NanoStation M900 da Ubiquiti: aqui doeu. É 900 MHz, a faixa certa, mas o rádio é Wi-Fi airMAX, chip Atheros, outra modulação. Não fala LoRa. A antena é integrada, então nem ela dá pra aproveitar direito. Ainda tô com a ideia teimosa de transformar isso num device Meshtastic próprio, nem que eu tenha que escrever o software. Fica anotado.
  • Duas antenas de 2,4 GHz: descartadas. Antena é cortada pro comprimento de onda: em 2,4 GHz a onda tem uns 12,5 cm, em 915 MHz quase 33 cm. Ligar uma de 2,4 num rádio de 915 é ROE nas alturas e PA sofrendo.

Nasce o Reator 4
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Todo projeto sério precisa de nome. O nó fixo se chama Reator 4.

A especificação ficou assim:

  • Núcleo: decidi pela Station G da B&Q. Achei a G3, sucessora da G2, na loja deles. Placa com PA forte e LNA bom, feita pra nó fixo.
  • Antena: colinear de fibra de vidro para 915 MHz, de 5,8 a 8 dBi, conector N, no alto. Tenho umas omnis longas de 900 MHz encostadas que posso testar também.
  • Cadeia de RF: G3 (SMA) → jumper curto SMA–N → filtro de cavidade → protetor de surto → antena. Regra de ouro: rádio colado na antena, sem cabo coaxial longo descendo o mastro.
  • Meta: cobrir no mínimo 15 km.

O cenário real: a casa fica a uns 30 m acima do nível do mar e a antena vai ficar a uns 12 m de altura. Não é torre, mas Linhares é plano, e cada metro conta.

Onde parei
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Às 13h, o placar do Reator 4 era este:

  1. B&Q (Station G3): mandei mensagem perguntando se enviam pro Brasil. Sem resposta.
  2. Vendedor do Mercado Livre: perguntei sobre uma antena 915 MHz (faixa, conector, tamanho). Sem resposta.

Sem a G3, o reator nem liga. Então o projeto está oficialmente aguardando os vendedores.

E o blog?
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No meio da espera, fui mexer no home lab. Arrumei o DDNS do roteador, recuperei o acesso ao servidor de casa e, papo vai, papo vem, resolvi subir um blog pra registrar essas coisas. Hugo, tema Blowfish, grafite e âmbar, rodando num OptiPlex aqui em casa.

Este é o primeiro post dele, escrito no mesmo domingo em que ele nasceu.

Continua?
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Depende dos vendedores.

Se alguém responder, tem Parte 2: compra, chegada, flash do firmware, configuração e o primeiro teste de alcance pelas ruas de Linhares.

Se ninguém responder, este post nasce e morre aqui, como registro de um domingo em que eu quis ser o primeiro do norte.

De qualquer forma, o mapa continua vazio. Por enquanto.

douglas@home-lab-vago:~$ ./reator4 --status
[ AGUARDANDO HARDWARE ]
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